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Educação em xeque - Inteligência Artificial
Publicado: 13 de maio de 2019

Educação em xeque
Estudo recente realizado pela Universidade de Brasília mostra que a inteligência artificial nos programas de computador e robôs pode tirar dos brasileiros 54% dos empregos formais, aqueles com carteira assinada e benefícios, isso já nos próximos sete anos. 
Pesquisadores analisaram mais de 2,6 mil ocupações, do engenheiro ao tingidor de roupas, do lixeiro ao psiquiatra, e chegaram aos seguintes números: até 2026, 30 milhões de vagas de empregos poderão ser substituídas por máquinas. (Folha de S.Paulo, A-16, 28/01/2019).
Os brasileiros já “viram este filme” com a automação dos bancos, no final do século 20. Agora, estão presenciando a troca dos cobradores de pedágio pelas tags automáticas instaladas nos carros e já há supermercados onde o consumidor entra, faz a compra, passa os produtos pelo caixa e paga com cartão de crédito, tudo sozinho. 
Talvez você possa pensar que correm risco apenas os trabalhadores cuja formação não passa pelos bancos das universidades. Engano leitor. A revista Exame (dezembro de 2017) publicou extensa reportagem sobre o assunto e pediu a especialistas para listarem profissões em risco. 
Entre elas estão alguns engenheiros, algumas especialidades médicas como anestesistas (já existem robôs fazendo este trabalho), jornalistas (a Associated Press já usa softwares inteligentes), contadores, auditores; em síntese, podem desaparecer todas as profissões cujas ações a máquina pode aprender.
Então, quais profissões não correm risco? “Aquelas que trabalham com o contato humano”, dizem os estudiosos. E enumeram: cuidadores de idosos, babás, psicólogos, professores, artistas, e, claro, cientistas e programadores ligados à inteligência artificial e aprendizado de máquina.
Assustador? Eu classificaria o momento como emblemático. A educação está em xeque. Urge a necessidade de uma ruptura. A educação tradicional, que vislumbra êxito apenas nas carreiras tradicionais, precisa ser substituída por uma mentalidade que vislumbre escolhas para os próximos 10 anos. 
Pais, responsáveis, orientadores educacionais e jovens precisam estar informados dos novos rumos da sociedade global para aceitar possibilidades de novos cursos (como Nanotecnologia e Engenharia Física), de cursos técnicos rápidos com fácil inserção no mercado (programação, games, youtubers), e da Educação a Distância, que traz, para as ferramentas digitais, o conhecimento do mundo.
Que venham novos tempos. E que estejamos preparados. Chega de desemprego e de falta de qualificação.

Ayne Salviano é jornalista, professora. Mestre em Comunicação e Semiótica. MBA em Gestão Educacional.

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